sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

childhood


quando era pequenina gostava de me fazer passar por alguém que falava inglês, de vez em quando achava que convencia quem fosse que passasse com o meu sotaque inglês que se aprende aos 9 anos na escola.
as recordações fazem-nos acreditar que foi real. 

with or without

estou-me a sentir sem inspiração nenhuma. os tempos mortos dos criadores ou a vontade não estimulada dos estudantes. quando isto acontece culpamos a cidade, as pessoas, a comida, a música e as cores. parece mais fácil de encarar mas não é, sem compreendermos que o problema provém de nós, como mudaremos? uma vez disseram-me que o que eu fazia era "o boicote do actor". E todos os dias, penso nisto e procuro mudar a minha atitude de juiz decide. estou melhor agora, mais sonhadora e menos sóbria. parece-me que é neste estado que sou mais feliz, quando me entrego e me despreocupo.

o meu problema sempre foi e ainda é, pensar que consigo carregar o mundo. estou a começar a compreender que o mundo não quer ser carregado. nem por mim, nem por ninguém.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

o teatro e a moda à portuguesa


Estou a trabalhar sobre o meu projecto de Teatro e Multimédia no fundo como uma auto-ajuda. A maioria das vezes sinto-me antiquada no meu modo de encarar o teatro, mas confesso que me fascina todas as novidades que os novos autores e criados vão trazendo a pouco e pouco, dando-lhe o nome de contemporaneidade. Estive a ler na Sinais de cena, uma entrevista a um dos grupos de teatro que estou a trabalhar e que mais me inquieta, porque vão de encontro a toda a convenção que me é ensinada, sobre o método e a personagem. O acreditar que naquele momento e dentro daquela realidade eu não sou eu, mas sim a personagem que vos vou convencer e sem que vos deixe duvidas. O teatro Praga funciona ao contrário, embora tenham recebido o mesmo tipo de ensino que eu estou a receber, eles recusam as personagens e todas as convenções da repetição. E embora me encontre completamente perdida e sem saber por onde começar a estruturar este monte de ideias, li algo que me fez despertar e gostava de deixar aqui partilhada a ideia: "Mas os STAN têm também essa referência de um teatro clássico belga, porque Portugal e a Bélgica têm isso em comum: não têm um teatro baseado numa tradição muito pesada, como acontece em Espanha, Inglaterra e França, onde em qualquer altura do ano se  pode ir ver na Comédie Française. Nós não temos essa grande referência institucional, não temos um Royal Shakespeare Company, e os belgas também não, porque o nosso teatro sempre foi feito a partir de importação de modelos." Pedro Penin

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quem manda no tempo sou eu!

o tempo nem sempre é o melhor amigo. mentiroso de quem o ousa dizer. o tempo dói. eu enterro o tempo e apago-o sempre que dou passos para trás. porque ele sempre existiu e que o tempo não pára, tenho a certeza disso. mas eu consigo contorná-lo e em vez de te imortalizar, eu envolvo-te em mim.


só para te respirar sempre mais um bocadinho.