sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

leque de sonho



entrar em Évora é como se a cidade não pertencesse a este país.
os campos preenchem-me de verde, as vacas estão deitadas e o sol reflecte como se tudo estivesse em liberdade.
a unica presença do homem é o autocarro em que estou.
o céu hoje está limpo e alegra-me.
como posso acreditar que daqui por uns kilometros todo este verde foi embora, toda esta simbologia de esperança se transformará em buzinas de carros e rostos mal dispostos, de uma rotina que ninguém é capaz de contrariar.
vou gritar e sair deste autocarro, vou correr pelos campos fora e brincar às escondidas sozinha atrás das árvores.
vou ser criança.
vou ser ingénua.
vou viver a minha verdade dentro de uma grande mentira, porque por mais que corra hei-de sempre encontrar o alcatrão de uma estrada do outro lado do campo.
aqui na cidade é tudo muito efémero, até a natureza tem o seu ínicio e o seu fim.
afinal, vou apenas guardar estas imagens dentro de mim e enfrentar a urbanização com o risco branco do céu nos olhos.
vou viver encadeada.

Sem comentários:

Enviar um comentário