quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

a filosofia do verbo gritar

gritar. todos os dias. por todos os sítios e por todas as partes do corpo. da mais ínfima partícula ao mais exagerado traço. de onde o som não se limite apenas a esboçar um eco, mas que consiga pintar as telas que não pinto e representar o que não digo. gritar não devia ser um atrevimento, um mau parecer. o grito tem tanta vida quanto o gemido, o murmúrio, o entre dentes. um grito. não a loucura e a insanidade. não a aflição e o desespero. mais um agir natural e inconsciente. a energia aumenta, o corpo alivia e a alma agradece.
preciso de gritar.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

almost Inverno

chá, meias quentes nos pés e sorrir ao ler um livro. receita rápida para uma noite mais tranquila.

domingo, 26 de dezembro de 2010

os dias maus magoam-me e eu não consigo ser mais forte que eles.
se calhar existe uma idade em que se atinge a repulsa aos dias natalícios e eu gostaria que a minha não tivesse chegado este ano. 
unhapyy 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

amanhã é natal e resolvi aceitá-lo em vez de me continuar a atormentar com o significado hipócrita que isto tem por trás.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Florbela Espanca

«O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!»

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

leque de sonho



entrar em Évora é como se a cidade não pertencesse a este país.
os campos preenchem-me de verde, as vacas estão deitadas e o sol reflecte como se tudo estivesse em liberdade.
a unica presença do homem é o autocarro em que estou.
o céu hoje está limpo e alegra-me.
como posso acreditar que daqui por uns kilometros todo este verde foi embora, toda esta simbologia de esperança se transformará em buzinas de carros e rostos mal dispostos, de uma rotina que ninguém é capaz de contrariar.
vou gritar e sair deste autocarro, vou correr pelos campos fora e brincar às escondidas sozinha atrás das árvores.
vou ser criança.
vou ser ingénua.
vou viver a minha verdade dentro de uma grande mentira, porque por mais que corra hei-de sempre encontrar o alcatrão de uma estrada do outro lado do campo.
aqui na cidade é tudo muito efémero, até a natureza tem o seu ínicio e o seu fim.
afinal, vou apenas guardar estas imagens dentro de mim e enfrentar a urbanização com o risco branco do céu nos olhos.
vou viver encadeada.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010